ASCO GU 2019 – Imunoterapia, perfil genômico e desfechos no câncer renal

Evidências atuais indicam resultados superiores com imuno-oncológicos em pacientes com câncer renal metastático (mRCC) com perda de mutações de função PBRM1 (Miao et al., Nature, 2018). Estudo com participação do oncologista brasileiro Paulo Bergerot apresentado no ASCO GU 2019 procurou demonstrar a associação entre a mutação PBRM1 e a resposta a terapias-alvo e a imuno-oncológicos em uma coorte retrospectiva.

Métodos
Pacientes consecutivos com mRCC que apresentavam perfis genômicos durante o atendimento clínico de rotina foram identificados a partir de um banco de dados institucional. Informações sobre tratamento sistêmico também foram coletadas e a mediana da duração do tratamento com a primeira terapia- alvo e a primeira imunoterapia foi calculada para cada paciente e comparada entre os grupos com PBRM1 + e PBRM1-. Apenas as mutações PBRM1 com significância funcional documentadas no COSMIC foram consideradas.

Resultados
Entre 104 pacientes com mRCC, 82 receberam terapias-alvo, 35 receberam imuno-oncológicos e 45 pacientes receberam ambos. O perfil genômico foi realizado em sangue e tecido em 84 e 63 pacientes, respectivamente, e 25 pacientes (24%) com mutações PBRM1 foram identificados. Entre aqueles com PBRM1 + , a mediana de duração do tratamento foi de 8,8 meses e 2,3 meses com terapiasalvo e imuno-oncológicos, respectivamente (IC 95%, 1,7 – 2,8; p = 0,049). Entre os pacientes com PBRM1 negativo, a mediana de duração de tratamento foi de 5,5 meses e 2,8 meses com terapias-alvo e imuno-oncológicos, respectivamente (p = 0,544).

Na população avaliada, 11 pacientes PBRM1 + e 34 PBRM- receberam terapia-alvo e imunoterapia. A duração de tratamento foi maior no grupo PBRM1- comparado ao grupo com expressão positiva de PBRM1 + (0,76 versus 0,37 respectivamente, p = 0,014).

Em conclusão, os autores afirmam que não conseguiram replicar nesta população os resultados de Miao et al, sugerindo benefício clínico com IO em pacientes com mutação no PBRM1. “Embora limitados pelo tamanho da amostra, os resultados contrastantes do estudo atual com a literatura destacam a importância da validação clínica em um cenário amplo e prospectivo”, propõem.

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