ASCO GU 2019: Quimiorradioterapia sequencial no câncer de bexiga pós cistectomia radical

Estudo randomizado de fase III buscou comparar a eficácia da radioterapia pós-operatória (PORT) versus a quimioterapia sequencial + PORT no câncer de bexiga localmente avançado após cistectomia radical. Os resultados foram apresentados no ASCO GU 2019 pelo radiooncologista Mohamed S. Zaghloul, professor na Universidade do Cairo.

O estudo egípcio avaliou o benefício da quimioterapia adjuvante em pacientes com câncer de bexiga localmente avançado (LABC) tratados com radioterapia pós-operatória (PORT). No ASCO GU foram relatados os dados da análise post-hoc de pacientes com histologia urotelial. A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que a adição de quimioterapia adjuvante melhoraria a sobrevida livre de doença (SLD) em comparação com a radioterapia isolada no LABC.

Métodos e resultados
Os pesquisadores compararam PORT vs quimioterapia sequencial + PORT após a cistectomia radical em pacientes com câncer de bexiga localmente avançado (LABC) tratados entre 2002 e 2008 no National Cancer Institute do Cairo, Egito. Foram elegíveis pacientes com câncer de bexiga ≤ 70 anos com pelo menos um dos seguintes fatores (≥ pT3b, grau 3, linfonodos positivos) com margens negativas após cistectomia radical e dissecção de nódulos pélvicos.

A radioterapia foi entregue usando radioterapia conformada 3-D para a pélvis a 45Gy em 1.5 Gy BID. Quimioterapia + radioterapia pós-operatória incluiu 2 ciclos de gencitabina/cisplatina antes e depois da RT. O endpoint primário foi sobrevida livre de doença (SLD). Os endpoints secundários incluíram sobrevida global (SG) e toxicidade gastrointestinal tardia.

Foram inscritos 153 pacientes, com mediana de idade de 55 anos; 53% com carcinoma urotelial (41 quimio + PORT / 40 PORT isolada). Na coorte urotelial, os braços estavam bem equilibrados. O seguimento mediano foi de 21 meses para quimioterapia + PORT (intervalo 4-127) e de 15 meses para PORT isoladamente(intervalo 5-70).

Houve 2 falhas locais para radioterapia pós-operatória e nenhuma falha para quimio + PORT. A sobrevida livre de doença em dois anos para quimioterapia + PORT vs PORT foi de 62% (95% CI, 53-71%) e 48% (95% CI, 39-58%), respectivamente (log-rank p = 0,031). A sobrevida global em dois anos foi de 71% para quimio + PORT (95% CI 63 – 80%) e de 51% para PORT isolada (95% CI 40 – 61%), log-rank p = 0,048.

 

Na análise multivariada, a quimioterapia + PORT foi um preditor significativo de melhora da sobrevida livre de doença (HR 0,42 95% CI 0,21-0,85, p = 0,016) e sobrevida global (HR 0,45, 95% CI 0,21-0,96, p = 0,039). Em toda a coorte, foi observada toxicidade gastrointestinal grau ≥ 3 em 5 pacientes no braço de quimioterapia + PORT (7%) e em 6 pacientes com PORT isolado (8%).

Os autores concluíram que a adição de quimioterapia adjuvante ao PORT melhora a sobrevida livre de doença e sobrevida global para o câncer de bexiga localmente avançado após a cistectomia radical, com toxicidade GI tardia aceitável. “Os resultados sugerem papel para terapias adjuvantes, tanto na doença local como distante”, observaram. No entanto, a recomendação é de cautela em relação aos achados do estudo egípcio, dificilmente aplicáveis a outros contextos epidemiológicos.

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