Atrasos no tratamento do câncer do colo do útero

Estudo brasileiro buscou estimar atrasos no tratamento, bem como os fatores associados a esse atraso, entre mulheres com diagnóstico de câncer do colo do útero tratadas no Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro. Os resultados do trabalho realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Fernandes Figueira e INCA foram publicados no Journal of Global Oncology (JGO) e demonstraram atrasos significativos para o início e final do tratamento nesta população estudada.

O estudo de coorte retrospectivo considerou 865 mulheres recém diagnosticadas com câncer de colo do útero entre 2012 e 2014. Os tempos do diagnóstico até o início do tratamento (menor ou igual a 60 dias) e do diagnóstico até o término do tratamento (menor ou igual a 120 dias) foram analisados de acordo com a legislação brasileira para o tratamento de pacientes com câncer. As associações entre os atrasos de tratamento e as variáveis sociodemográficas, econômicas, de estilo de vida, características clínicas e de tratamento foram estimadas por modelos de regressão logística, com 95% de intervalo de confiança.

Resultados
A mediana de idade foi de 47 anos; 36,2% dos pacientes tinham doença estádio IIIB a IVA. A mediana do tempo desde o diagnóstico até ao início do tratamento foi de 114 dias, o que foi estatisticamente superior entre as mulheres com estádio IIB a IVA (105,5 dias) em comparação com aquelas com estádios anteriores (119 dias). O atraso no início do tratamento ocorreu em 92,8% das participantes; o tempo mediano do diagnóstico até o término do tratamento foi de 274 dias, com um atraso (mais de 120 dias) para 92,6% das pacientes.

Em conclusão, o estudo mostrou que foram observados atrasos significativos no início e final do tratamento na população estudada. “O atraso no início do tratamento foi positivamente associado à idade, intervalo de tempo superior a 30 dias do diagnóstico até a primeira avaliação do especialista no centro do câncer, quimiorradiação e tratamento adequado”, observaram os autores.

Portal Onconews

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