Compostos encontrados no café podem inibir avanço do câncer de próstata

Uma das bebidas mais consumidas no mundo pode ser a esperança de novas terapias oncológicas, segundo um grupo de cientistas chineses. Os pesquisadores usaram dois compostos presentes no grão de café para tratar ratos com tumores de próstata. A intervenção experimental diminuiu o crescimento dos cânceres, principalmente quando as duas moléculas foram usadas em conjunto. Apesar da necessidade de mais testes, os autores do estudo acreditam que os resultados, divulgados no último Congresso Europeu da Associação de Urologia, em Barcelona, podem render novos medicamentos no futuro.

O café é um dos alimentos mais estudados quanto aos efeitos que pode provocar no organismo, e já se mostrou benéfico no combate e na prevenção de algumas doenças. Para entender melhor esse impacto, os pesquisadores decidiram avaliar o potencial do grão contra o tumor de próstata. Na primeira parte da investigação, eles testaram seis compostos encontrados naturalmente no café, para verificar como as substâncias agiam na proliferação de células cancerosas da próstata humana cultivadas in vitro.

Descobriu-se que as células tratadas com os compostos acetado de kahweol e cafestol, ambos hidrocarbonetos presentes no café comum, cresceram mais lentamente que as células doentes não tratadas com os compostos (grupo controle).

Efeitos

Os autores do trabalho destacaram que a pesquisa precisa ser mais aprofundada, já que ainda não é possível dizer se o mesmo efeito visto nos camundongos ocorre em humanos. “É importante manter essas descobertas em perspectiva. Esse é um estudo piloto. Então, o trabalho mostra que o uso desses compostos é cientificamente viável, mas precisa de mais investigação. Isso não significa que as descobertas podem se repetir em humanos”, ponderou Iwamoto.

“Os dados são promissores, mas não devem fazer as pessoas mudarem o consumo de café. O café pode ter efeitos positivos e negativos se consumido em excesso (por exemplo, pode aumentar a hipertensão), por isso precisamos descobrir mais sobre os mecanismos por trás desses achados antes de pensarmos em aplicações”, frisou o autor. Apesar disso, ele disse acreditar que, com os bons resultados verificados, a possibilidade de novos medicamentos com base nas moléculas que compõem o café é um objetivo a ser conquistado. “Se pudermos confirmar esses resultados, podemos ter novos candidatos para tratar o câncer de próstata resistente”, complementou.

Para o bem e o mal

Pesquisas científicas já mostraram que doses diárias de café podem evitar problemas de saúde como a insuficiência cardíaca contribuir para o combate a depressão e para a melhora da memória, além de ajudar no emagrecimento, pois auxilia no aceleramento do metabolismo. Já o consumo exagerado da bebida pode causar azia constante e também o desenvolvimento de problemas como a gastrite e a úlcera.

Portal Correio Braziliense

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