Estudo brasileiro discute técnica cirúrgica no câncer de mama

A técnica de incisão única desenvolvida no Brasil pelo mastologista brasileiro Sílvio Bromberg é uma cirurgia oncoplástica destinada a remover tanto o tumor quanto o linfonodo sentinela, com segurança oncológica e cosmética superior comparada à cirurgia conservadora convencional. Os resultados iniciais foram publicados em 2018 e agora serão apresentados em sessão oral na conferência anual do TARGIT Collaborative Group, dia 8 de fevereiro, em Orlando, EUA.

“A incisão única proporciona melhores resultados estéticos comparada à técnica convencional com duas incisões, sem diferenças na incidência de complicações ou eventos de recorrência”, diz Bromberg, professor da disciplina de Mastologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Em Orlando, a experiência apresentada pela equipe brasileira combina a abordagem videoassistida com o uso de Intrabeam, a radioterapia intraoperatória reconhecida por melhores desfechos estéticos.

Entre os desfechos avaliados foram comparados o volume mamário removido, tempo cirúrgico, número de linfonodos dissecados e complicações cirúrgicas como seroma, infecção e deiscência da ferida operatória, além de deformidades, retrações e sequelas estéticas subsequentes.

A seleção de pacientes para a técnica menos invasiva considera diferentes critérios, a começar da doença inicial, lesão única com tumores de até 25 mm e linfonodos axilares clinicamente negativos. As contraindicações à abordagem de incisão única são radioterapia prévia da mama, doença do tecido conjuntivo envolvendo pele, tumores maiores que 5 cm sem quimioterapia neoadjuvante e margens patológicas focalmente positivas.

Agora, a atualização que será tema de apresentação oral em 2019 considera um número maior de pacientes abordadas cirurgicamente pela técnica de incisão única, desta vez em combinação com a radioterapia Intrabeam. “Estamos preparando nova publicação em periódico de alto impacto com a descrição de 94 casos operados por técnica minimamente invasiva, através da incisão única”, sinaliza Bromberg.

Evidências
Vários estudos randomizados mostraram que a mastectomia com dissecção axilar é equivalente à cirurgia de conservação da mama com dissecção axilar e irradiação total da mama, para a maioria das mulheres com doença inicial (estágio I/II). A opção conservadora é reconhecidamente menos invasiva, mais rápida e mais estética, mas a técnica de incisão única dificulta o procedimento diante do limitado espaço para a visualização e ressecção, exigindo maior experiência do cirurgião.

A experiência brasileira começou a ser desenhada a partir de uma visita de Bromberg ao Kameda Medical Center, o principal centro de tratamento de câncer de mama do Japão, onde a equipe do Departamento da Mastologia chefiada por Eisuke Fukuma já utilizava técnicas videoassistidas para o tratamento cirúrgico do câncer de mama. “A maioria das orientais têm mamas pequenas, muitas vezes sem sulco inframamário delimitado, e desejam o menor número possível de cicatrizes. Percebi que poderia transpor aquela técnica e adaptá-la a nossa realidade, com o conceito de cirurgia minimamente invasiva”, conclui o especialista brasileiro.

Portal Onconews

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