Novo teste aumenta chances de detectar câncer em estágios iniciais

Um novo exame de sangue de alta sensibilidade está sendo desenvolvido por cientistas para, no futuro, ajudar os médicos a detectar e tratar pacientes com câncer de mama, evitando cirurgias desnecessárias e tratamentos sem resposta satisfatória.

De acordo com os cientistas, o teste é cerca de 100 vezes mais sensível que os exames atuais. A descoberta está em um estudo publicado na Science Translational Medicina.

A pesquisa foi realizada por um time da Translational Genomics Research Institute (TGen) e da Mayo Clinic, em colaboração com um grupo do Cancer Research UK Cambridge Institute.

Como o estudo foi feito

• Cientistas desenvolveram uma técnica chamada TARDIS (sigla para Sequenciamento Digital Direcionado, ou TARgeted Digital Sequencing, em inglês) para analisar pequenos fragmentos de DNA do tumor que estejam circulando na corrente sanguínea do paciente.

• O DNA do tumor é retirado a partir de células do tumor conseguidas por meio de uma biópsia tradicional.

• Na primeira validação da técnica, os pesquisadores analisaram 80 amostras de 33 mulheres com estágio inicial da doença e também estágio avançado. Nessa primeira rodada, o exame detectou o DNA do tumor em todas as pacientes antes de começarem o tratamento.

• Os pesquisadores então fizeram mais exames de sangue em 22 mulheres que receberam tratamento antes da cirurgia, como quimioterapia, radioterapia e terapia com hormônios. O teste mostrou que a concentração de DNA cancerígeno era menor em pacientes que não apresentavam mais células cancerígenas pouco antes de realizar a cirurgia.

• O próximo passo é realizar um estudo ainda maior, envolvendo 200 pacientes, para validar novamente a efetividade do teste e determinar qual a quantidade ideal de DNA cancerígeno deve estar presente no sangue para indicar que o tratamento antes da cirurgia foi bem-sucedido.

Por que é importante?

Embora seja um estudo preliminar e que ainda terá mais etapas de testes clínicos, a nova técnica permite detectar o DNA de tumores em concentrações bem baixas no sangue, abrindo a possibilidade para personalizar o tratamento de cada paciente de acordo com a concentração de DNA cancerígeno em seu sangue.
Muitas pessoas em estágios iniciais do câncer de mama, por exemplo, são tratadas com medicamentos para reduzir o tamanho do tumor para em seguida passarem por uma cirurgia para remover qualquer resquício dele. Contudo, em muitos casos não há mais células cancerígenas após o tratamento, mas os médicos não têm como garantir isso e acabam optando pela opção mais segura: a mesa de cirurgia.

Em outro cenário, pacientes enfrentam seis a oito ciclos de quimioterapia; com o exame de sangue, seria possível detectar a queda do DNA do tumor no sangue, reduzindo ou aumentando o tempo de tratamento de acordo com a necessidade de cada paciente.

O novo teste também permitiria acompanhar a evolução da doença a partir de estágios iniciais, a detecção de mutações genéticas no tumor e ainda identificar a reincidência da doença ainda no início, aumentando as chances de sucesso na cura.
Os pesquisadores ainda esperam que a técnica vá além do câncer de mama e ajude a monitorar outros tipos de câncer que hoje são tratados com medicamentos ou radioterapia antes da cirurgia.

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